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Publisher
Companhia das Letras
ISBN
ISBN-13: 9788535943313 ISBN-10: 9788535943313Synopsis
O nível do mar subia dois milímetros por ano devido ao aquecimento global. A água doce dos lagos se esgotou, reciclada como chuva e neve de volta aos oceanos – mais elevação. Depois, um foguete intercontinental russo de má qualidade e destinado ao sul dos Estados Unidos explodiu no meio do Oceano Atlântico, provocando tsunamis desastrosos que devastaram a Europa, a África Ocidental e o litoral da América do Norte. Uma série de catástrofes climáticas e bélicas transforma o Reino Unido em um conjunto de ilhas. Nesse cenário pós-apocalíptico, quem ainda pensa em literatura?
O ano é 2119 e o professor Thomas Metcalfe segue obcecado pela obra de um escritor, Francis Blundy que, em uma fatídica noite de 2014, teria lido um longo poema – sua suposta obra-prima – em um jantar, como homenagem à esposa, cuja voz ressoa na segunda metade de O que podemos saber. Graças ao arquivamento digital, as mensagens trocadas (e-mails, histórico do browser, SMS...) pelos participantes do jantar são acessíveis. No entanto, como Ian McEwan insinua desde o seu título, há um limite para o que podemos de fato saber.
E quais são os limites da memória, da reelaboração histórica? Como interpretar corretamente o nosso presente sem a visão privilegiada do passar dos anos? Os alunos de Thomas Metcalfe não compartilham com ele o entusiasmo pela literatura do começo do século XXI. Em vez disso, olham para a nossa época atual com desprezo pela arrogância humana, incapaz de se unir para enfrentar o monstro das mudanças climáticas.
Como um rigoroso pesquisador, a jornada de Metcalfe nos leva a reconstruir a vida antes da tragédia global, até a descoberta de segredos inconfessáveis e brutais. O deslocamento temporal de ficção científica encenado por McEwan, um dos escritores de maior renome mundial, mesclado ao seu estilo realista, perturba pela coragem e o arrojo de suas ideias. Afinal, o que pode a literatura e as artes diante do apocalipse iminente?